quarta-feira, 1 de maio de 2013


      O PASSO SEGUINTE


              Para o Brasil, em seu momento atual de desenvolvimento e com a crise internacional existente, a trajetória de sua evolução impõe permanecer com a política inovadora e revolucionária, adaptada à realidade atual. Nossa trajetória progressista trouxe ao nosso país transformações profundas e inicia a determinação dos valores de nossa sociedade no futuro.

 Um grande mérito criado neste processo tem sido nosso método na realização política, de diálogo, aberto para negociação e popular. Deve ser mantido e valorizado.

 As recentes melhorias da população ampliaram o consumo interno e dinamizou toda a economia. Diversas indicações nos dizem que manterá sua continuidade. Nossos objetivos do momento, entretanto, não podem estar limitados a repetir o que foi positivo. As questões prioritárias agora são outras, embora as anteriores devam permanecer no contexto geral. Hoje predomina como orientação a qualidade de vida do cidadão e a renovação da Democracia é questão básica neste sentido. É importante destacarmos quatro grandes temas que condicionam o panorama do momento.

a) Vivemos uma grave crise no mundo e o seu efeito atingiu o âmago do sistema capitalista. As deficiências que aparecem desde os anos setenta do século passado têm sido compensada por fenômenos como a queda do “socialismo real” ou então pelas ilusões do neoliberalismo e suas desastrosas consequências. Agora não existem novos fatores para amenizar esta desestruturação e os resultados são graves. Somos um dos países do mundo com capacidade de enfrentar esta situação.

b) Cada vez mais em toda esfera internacional aparece efeitos do fenômeno do individualismo na sociedade que amplia o medo, a mesquinharia, a concorrência e a violência. Não podemos reduzir, portanto, nossa compreensão do momento atual às dificuldades das relações de produção e relações de trabalho. É todo o sistema que está em jogo. Esta insegurança prejudica a economia pelo efeito profissional e a política sofre consequências com a perda de solidariedade, debilitando a mobilização e organização da força social. Em momentos mais agudos, entretanto, têm surgido novos tipos de afirmação social, como ocorre na Europa ou EUA. Na África criou a poderosa Primavera Árabe.

C) O investimento do grande capital internacional cada vez mais aumenta a sua presença nos países emergentes e o afasta de onde até o passado recente usufruiu das atividades econômicas e facilitou o seu domínio internacional. A falta de uma orientação política a esta aproximação tem estabelecido sua hegemonia em vários mercados setoriais. Nossa atual grandeza, que foi conquistada, nos permite determinar novas condições nesta relação. Fortalecer uma sociedade sustentável, criar limitações jurídicas, ampliar a organização do cidadão e qualificar neste sentido o desenvolvimento social e econômico. Não é tarefa simplesmente de Governo ou do Estado, mas com política que compromete toda a sociedade e deve ser realizada com permanente diálogo/negociação.

d)  Democracia é questão essencial a ser reconstruída no mundo todo. Em muitos países aparece como o tema mais debatido e disputado. Em nosso país é visível os limites estruturais de nosso Sistema Político que prejudica um avanço maior das relações sociais, economia e da sociedade em geral. É fundamental também alcançarmos a participação popular como elemento decisivo para responder às exigências de desenvolvimento da sociedade. É essencial as forças progressistas assumirem esta compreensão e prática. Existem obstáculos que impedem a superação desta realidade como uma mídia com domínio absoluto da comunicação. Predomina a distorção na informação e trabalho de forte alienação. É necessário colocar como tema de discussão e confronto aberto destes temas, porque não existem soluções concluídas e é necessária a sua construção.

                                  OS CONFLITOS DO MOMENTO


                    Neste momento está colocada como exigência prioritária para a evolução de nossa sociedade a superação dos elementos que criaram barreiras na melhoria da mão de obra dos trabalhadores. As forças políticas de direita a muito tempo percebeu sua fragilidade para a disputa aberta e procura soluções antidemocráticas que utilizou no passado. A tática mais procurada é de um moralismo altamente hipócrita, porque é utilizado como maneira de evitar o debate das questões atuais e evitar novas derrotas. Os políticos mais corruptos e autoritários procuram aparecer como os lutadores por uma “Ética Democrática”. A mídia brasileira é uma grande liderança deste comportamento em decorrência do temor à perda de seu domínio absoluto na comunicação. Esta seria uma grande valorização da Democracia brasileira, diminuindo o principal instrumento de manobra.

                          As forças políticas democráticas e populares ainda não conseguiram definir suas características mais significativas. Hoje temos uma esquerda que limita sua força somente ao apoio às suas importantes e essenciais lideranças. Entretanto não valoriza a organização popular de maneira plena. Ocorre que a prioridade da luta pela qualidade de vida do cidadão brasileiro exige um aumento forte do teor político em todas as questões da sociedade. É impossível a presença dos grandes líderes em disputas locais de um bairro, cidade ou de uma região. É urgente realizar a organização social em todos os espaços e tempos.

                                               OBJETIVOS:


                        No caminho a ser construído o aspecto social é determinante. Muitos outros temas são significativos como a melhoria da infraestrutura do país, a superação das deficiências do Estado ou então a habilitação das empresas particulares. Para qualificar a condição de vida do cidadão a educação é o nosso maior gargalo. É uma questão que exige alto investimento, mas com retorno assegurado para superar nossa deficiência tecnológica e conhecimento, condição para novo impulso econômico. Este impasse foi solucionado, com limitações, nas sociedades mais avançadas. Ali eram realizadas importantes melhorias, mesmo assim permanecia a discriminação social. Este é o ponto essencial na diferenciação. Construir as oportunidades iguais para todos! Objetivo de longo prazo e de grande disputa política.

                     Precisamos definir a alternativa completa para favorecer a população e o desenvolvimento nacional. Não podemos oferecer melhorias pontuais. É necessário atingir todas as condições de vida dos cidadãos Na cidade, onde vivem 85% da população brasileira, a educação deverá ser acompanhada das respostas a serem feitas na política de habitação popular próxima ao trabalho, melhoria dos serviços públicos e soluções eficientes para o deslocamento. Devem ter uma arquitetura bela, com lazer, meio ambiente e cultura com qualidade para todos.

                       As modificações urbanas existentes, com domínio do grande capital, tem estabelecido uma forte discriminação social ao dificultar o acesso da população aos valores profissionais, culturais, históricos e de meio ambiente, já existentes, na área urbana consolidada. Também aparece a alienação com o luxo, o “schopping Center”, a qualidade da mídia e muitas outras soluções de desencontro e desumanização. Esta realidade impede maiores avanços de toda a população e como consequência atinge a qualidade da mão de obra. A evolução urbana tem sido dominada pelo mercado na maior parte do Brasil. A cidade não é só obra, mas principalmente o cidadão. Precisamos desenvolver um grande processo com a participação social. O crescimento é político e o cidadão a força maior.

                         Esta orientação será muito mais aceita pela população como alternativa, desde que seja apresentada como proposta política clara e correspondendo às exigências brasileiras. Em diversos países que hoje procuram soluções com este caminho a dificuldade maior tem sido seus próprios limites de democracia. Nós iniciamos com condições melhores e ainda desejamos ampliar nossa qualidade política, alterando as relações de representatividade e construindo também uma maior participação popular. É uma inovação em toda a história da democracia.

                                        NOSSO PRIMEIRO PASSO:


 a)  Desde o ano 2003 O Brasil realiza um grande desenvolvimento econômico e social com enormes diferenças a tempos anteriores. Trata-se da evolução realizada com inversão de prioridades. Foi mais intenso e profundo do que ocorreu na antiga orientação populista do trabalhismo brasileiro. Um fato verdadeiro, mas ainda sem entrar no mérito das exigências e possibilidades políticas de cada época. Tivemos a democracia como fator diferenciador, inclusive com determinantes experiências de participação popular.

  b)  Nossa organização popular foi construída entre os Sindicalistas de grande expressão, nas cidades, em conjunto com o Movimento dos Sem Terra, a Igreja Progressista e a pequena, embora de longa história, Esquerda Brasileira. A incapacidade dos partidos políticos de centro para apresentar proposta e inclusive o seu fracasso com a política neoliberal abriu um espaço maior para ser aproveitado. Era um tempo em que havia a definição clara de um inimigo, a unidade da população, os confrontos mais diretos e imediatos o que facilitava serem assumidos.

  c)  Foram amadurecidos métodos inovadores de ação, predominando o diálogo, a negociação e definição de objetivos sociais e políticos. Havia força popular neste trajeto o que permitiu a orientação progressista construir um novo quadro na realidade brasileira. No período populista anterior as lideranças eram somente dos tradicionais políticos do país e o partido progressista da época demorou a se afirmar. Agora temos dirigentes com capacidade individual de mobilização e qualidade política, como o presidente Lula. Junto a organização social, determinantes e orientadoras.

d)  As questões de exploração do trabalhador sempre foram agudas no Brasil desde os seus baixos salários, as condições do trabalho e condições de vida em geral. O desenvolvimento nacional sempre foi dependente. Fortes reações sociais estavam determinando mudanças neste panorama. É importante reafirmarmos que o Brasil, com os governos anteriores estava muito enfraquecido e as condições de vida altamente negativa. O novo governo partia de temas concretos para recuperação nacional e da população.

                            ESTAMOS NO SEGUNDO PASSO:


f)  Alguns setores de empresários desejam permanecer com a economia dependente para o Brasil. Com prestígio da grande mídia formulam políticas de modificações do país tendo com base a diminuição do Estado, privatizações de suas diversas empresas, diminuições de impostos, mas com melhorias de infraestrutura e modificações da estrutura do salário do trabalhador. Mesmo que algumas sugestões possam até ser válidas, em seu conjunto tornam-se contraditórias e o que é mais negativo são conservadoras e apresentam uma proposta duvidosa de crescimento, inclusive sem perspectivas estratégicas mais sólidas.

g) Não haverá evolução do cidadão se sua vida for afastada das condições materiais e subjetivas do que já foi acumulado no Brasil. Hoje o conhecimento é essencial para o país e não é possível ser desenvolvido somente por um reduzido núcleo de intelectuais, como já ocorreu no passado, colocados relativamente em separado da população. O avanço cultural agora é uma prática muito maior e  extensivo, utilizada como necessidade técnica e de conhecimento em toda a sociedade. A sua realização é uma exigência que deverá ser implementada por um processo de mobilização dos cidadãos, a presença do Estado e uma ampla prática de diálogo/negociação.

 h)  Nosso governo federal, agora com a presidenta Dilma, tem sido progressista. Neste sentido o emprego continua aumentando, o crédito de consumo ou de produção se mantém significativo, temos uma diminuição grande de impostos, os juros também diminuíram como nunca ocorreu no Brasil e a inflação está controlada. Os investimentos estatais da mesma forma continuam altos. Temos dificuldades financeiras estruturais que estão sendo enfrentados. Mesmo assim existem problemas na indústria que apresenta dificuldade. Hoje temos uma concorrência internacional muito acentuada, que precisa de soluções financeiras e econômicas correspondentes e tempo para executar a ação do Estado. As empresas da mesma forma precisam agir no sentido de qualificar suas tecnologias.

 i)  A pergunta a ser feita é qual o Brasil que queremos? Não podemos ambicionar ser um país como são as antigas potências internacionais. Eles estão em crise e sem alternativa. Nós não podemos ambicionar algo que no momento é superado. Também desejamos saber como alcançar o Brasil que queremos? Neste sentido precisamos manter e adaptar para a realidade atual nosso caminho e metodologia de ação. Portanto devemos transformar nossa Democracia, mas também definir com maior precisão nossos objetivos de luta do momento. Não existe solução prévia, o avanço deverá ocorrer no processo de sua realização.

  j) Na última eleição municipal apareceram dificuldades políticas que podem ser verificadas pela importância que adquiriu candidatos como Russomano em São Paulo e Ratinho Jr. em Curitiba no Paraná. Eles representam forças políticas que valorizam elementos negativos de alienação para a vida. As definições eleitorais desses setores sociais mostram também o enorme afastamento das lideranças e militantes progressistas com a população. Aqui temos também as limitações da democracia em nosso país. A sua dinâmica atual é somente eleitoral e não tem contribuído em elaborar uma política nacional.

                           CONSTRUIR NOSSA PROPOSTA!


                              É urgente realizarmos profundas modificações (não só melhorias) na “Democracia Brasileira”, superando determinações legais que existem para as eleições e na relação da representatividade ao favorecerem a corrupção e dificultarem o espaço de participação popular. Os obstáculos como o domínio absoluto da comunicação na mídia, acompanhado de seu caráter de alienação são barreiras a superar. Estes dois pontos já estabelece grande confronto político entre progressistas e conservadores. Mais uma vez e de maneira mais profunda devemos utilizar o método político do diálogo/negociação, essencial desde nosso desenvolvimento poderoso e recente.

                             A necessidade do crescimento humano e extensivo a todos os cidadãos está cada vez mais presente. Devemos almejar um Brasil integrado entre os temas diversos na realidade. Nossa ambição agora é cada brasileiro/a, cada casa, cada bairro, cada região e a nação em condições integradas de vida e com oportunidade igual para todos os cidadãos. Deve haver acesso também igual no ensino, trabalho e nos serviços públicos. A cultura, a história da sociedade e o meio ambiente devem favorecer igualmente aos cidadãos e existir na sociedade. É necessário procurar a sociedade consolidada.

                                          Já somos uma Nação conhecida e reconhecida na civilização internacional. Com nossa trajetória queremos contribuir mais uma vez na superação da profunda crise que se vive no mundo todo.  


Porto Alegre, 18/03/2013


                                                                                               Jaime Rodrigues                                                                                          


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